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Por que os leitores continuam escolhendo livros físicos nas bibliotecas

13/10/2026

Relatos de leitores de Itu e Sorocaba mostram que acesso gratuito, descoberta e convivência ainda mantêm as estantes vivas na era digital.

O avanço dos celulares, dos aplicativos e dos livros digitais não eliminou o interesse pelos exemplares impressos. Em bibliotecas públicas e comunitárias de Itu e Sorocaba, no interior de São Paulo, leitores continuam percorrendo estantes, escolhendo títulos e levando volumes para casa.

Os relatos reunidos pelo g1 em reportagem publicada em 12 de outubro de 2026, reproduzida pelo Agora Rio, não permitem afirmar que a maioria dos brasileiros prefira livros físicos. Eles revelam, porém, experiências concretas que ajudam a entender por que o papel continua relevante: o acesso gratuito, a possibilidade de descobrir autores ao acaso, o estímulo desde a infância e a função cultural das bibliotecas. (agorario.com.br)

O preço ainda pesa na escolha

Para alguns leitores, a biblioteca é o caminho mais acessível para manter uma rotina de leitura. Bruna Franco, frequentadora da Biblioteca Municipal Professor Olavo Valente de Almeida, em Itu, contou que começou a utilizar o espaço porque não tinha condições de comprar todos os livros que gostaria de ler.

Segundo o relato publicado, ela empresta um exemplar a cada duas semanas e procura alternativas nas estantes quando o título desejado não está disponível. A experiência mostra que o livro físico, quando oferecido por meio de uma biblioteca, deixa de ser apenas um produto de compra e passa a funcionar como um bem compartilhado. (agorario.com.br)

A Prefeitura de Itu informa que a biblioteca municipal possui mais de 37.850 exemplares, oferece empréstimo gratuito e realiza aquisição regular de novos livros. Em 2026, o espaço funciona no Centro Ituano de Letras e Artes, onde também recebe atividades culturais e exposições. (itu.sp.gov.br)

A descoberta acontece entre as prateleiras

O jornalista Marcelo Santana, entrevistado pelo g1, apontou outro motivo para continuar frequentando a Biblioteca Municipal “Jorge Guilherme Senger”, em Sorocaba: a liberdade de caminhar pelo acervo, observar capas, ler sinopses e encontrar obras que não estavam necessariamente na lista inicial.

Essa descoberta casual é uma das características mais marcantes da experiência física. Diferentemente de uma busca orientada por palavras-chave ou recomendações automatizadas, o leitor diante de uma estante pode ser surpreendido pela organização do acervo, pela capa de um livro ou pela presença de um autor desconhecido.

A biblioteca de Sorocaba mantém um acervo físico informado pela prefeitura como de aproximadamente 45 mil volumes. A página institucional também registra a trajetória do espaço, criado no fim dos anos 1970, e disponibiliza informações sobre empréstimos e consulta ao acervo. (cultura.sorocaba.sp.gov.br)

O hábito começa antes da escolha do formato

Os depoimentos também indicam que a relação com os livros físicos costuma ser construída antes da decisão entre papel e tela. Bruna relatou ter recebido livros dos pais e participado de atividades de leitura na escola. Isis Nadir Lima Cruz, por sua vez, leva semanalmente a filha Amelie, de 2 anos, à biblioteca e mantém livros ao alcance da criança em casa.

Nesses casos, o livro impresso aparece associado à rotina familiar, ao contato com as páginas e à mediação de adultos e professores. A biblioteca não é apenas um local de retirada de exemplares: torna-se parte de uma experiência de formação leitora, com tempo, repetição e convivência.

Em Sorocaba, a gestora Fabiana Campolim afirmou que as bibliotecas municipais promovem oficinas e atividades culturais para aproximar o conteúdo dos livros de experiências práticas. A proposta inclui ações relacionadas a artesanato, música e outros temas presentes no acervo. (agorario.com.br)

Bibliotecas oferecem mais do que livros

O caso de Sorocaba também mostra que a permanência do livro físico está ligada ao papel social das bibliotecas. De acordo com a reportagem, a Biblioteca Municipal empresta, em média, 1,6 mil livros por mês e mantém mais de 42 mil títulos, número que aparece no depoimento da gestora entrevistada pelo g1.

Esse dado deve ser lido com cuidado. A página atual da Prefeitura de Sorocaba informa cerca de 45 mil volumes, enquanto a reportagem menciona mais de 42 mil títulos. Títulos, volumes e exemplares não são necessariamente a mesma unidade de contagem, e as informações podem corresponder a momentos diferentes. Ainda assim, as duas referências confirmam a existência de um acervo físico amplo e em funcionamento. (agorario.com.br)

Além da biblioteca municipal, a reportagem cita uma biblioteca comunitária mantida pela Associação Beneficente Kairós, no bairro Maria Eugênia, com foco em literatura infantil e presença de obras raras e textos de teatro. O projeto também mantém uma unidade em um vagão ferroviário e conta com livros em braile, segundo a gestora entrevistada. (agorario.com.br)

O que isso significa para autores independentes

Os exemplos não comprovam uma demanda comercial geral por livros impressos nem permitem concluir que a presença em bibliotecas aumente automaticamente as vendas de um autor. Eles oferecem, contudo, uma reflexão útil para escritores independentes: a circulação de uma obra pode acontecer em ambientes de descoberta, conversa e mediação, e não somente em vitrines digitais.

Bibliotecas, clubes de leitura, feiras e atividades culturais podem criar oportunidades de apresentação de livros, desde que existam regras, interesse institucional e formas adequadas de participação. Para o autor, isso significa pensar também em como a obra será apresentada, contextualizada e encontrada pelo leitor.

Essa possibilidade não substitui livrarias, lojas virtuais ou redes sociais. Ela amplia o entendimento de que um livro físico pode cumprir funções diferentes: ser comprado, presenteado, emprestado, descoberto em uma estante, lido em família ou integrado a uma atividade cultural.

Uma escolha que não precisa ser uma disputa

A permanência dos livros físicos não significa rejeição às tecnologias digitais. Os leitores ouvidos na reportagem convivem com as duas formas de acesso. O que aparece nos exemplos de Itu e Sorocaba é a força de uma experiência que combina objeto, espaço, orientação e comunidade.

Em vez de perguntar se o papel vencerá a tela, talvez seja mais produtivo observar quais condições fazem as pessoas quererem ler. Quando há acesso, acervo, estímulo e liberdade para escolher, o livro continua encontrando leitores — impresso ou digitalmente. Nas bibliotecas visitadas pela reportagem, porém, as páginas ainda são folheadas, as capas ainda provocam descobertas e as estantes continuam funcionando como portas de entrada para novas histórias.

Fontes consultadas