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Projeto na Bahia mostra caminhos para criar e publicar livros fora dos grandes centros

30/08/2026

Circulação literária com Davi Boaventura oferece oficinas, minicursos e encontros gratuitos em quatro municípios baianos, além de uma atividade online

Entre a primeira ideia e o livro pronto existe um caminho cheio de decisões: escolher um ponto de partida, desenvolver personagens, organizar o projeto, revisar o texto e entender como a obra pode chegar aos leitores. É justamente esse percurso que o projeto Caminhos da Literatura – Leitura, Escuta e Escrita com Davi Boaventura leva a diferentes cidades da Bahia.

Selecionada no Edital Circulações Literárias da Bahia 2026 – Ano III, da Fundação Cultural do Estado da Bahia, a iniciativa promove atividades gratuitas de formação literária em Feira de Santana, Paulo Afonso, Lauro de Freitas e Irecê. A programação também prevê uma versão virtual do minicurso, ampliando o acesso para participantes de outras regiões.

Da ideia ao projeto literário

A proposta parte de uma pergunta comum entre escritores iniciantes e pessoas que desejam transformar uma experiência, uma memória ou uma história imaginada em livro: por onde começar?

Nas oficinas e minicursos, Davi Boaventura apresenta ferramentas para ajudar os participantes a organizar seus projetos. A personagem aparece como um dos elementos centrais do processo, mas as atividades também abordam leitura, escuta, observação, planejamento e construção de uma obra.

O objetivo não é oferecer uma fórmula única para escrever. Ao contrário, a formação reconhece que existem diferentes métodos e processos criativos. A ideia é apresentar possibilidades para que cada participante encontre uma maneira própria de desenvolver seu trabalho.

Essa abordagem é especialmente relevante para quem está no início da trajetória. A liberdade criativa pode ser estimulante, mas também pode provocar insegurança e paralisia. Ter contato com técnicas, exemplos e ferramentas de planejamento ajuda o autor a transformar uma intenção vaga em um projeto mais consistente.

Programação percorre quatro municípios da Bahia

A circulação começou em 28 de agosto de 2026, durante a Feira Literária de Feira de Santana, com a oficina “O projeto do projeto – como começar um livro”. A atividade foi realizada das 14h às 17h, no Teatro e Centro de Convenções de Feira de Santana, dentro da programação da FLIFS.

O projeto segue para Paulo Afonso nos dias 16 e 17 de setembro. No primeiro dia, está previsto um encontro com estudantes do curso de Direito da Universidade do Estado da Bahia, no Campus VIII, sobre o processo criativo do romance Mônica vai jantar. No dia seguinte, a Academia de Letras de Paulo Afonso recebe o minicurso sobre o início de um livro, das 14h às 18h, com certificação para os participantes.

Em Lauro de Freitas, a atividade será realizada em 25 de setembro, no Teatro de Bolso, das 14h às 18h. O minicurso contará com tradução em Libras e será promovido em parceria com a Academia de Letras e Artes de Lauro de Freitas.

A última etapa presencial prevista será realizada em Irecê, em outubro. No dia 29, Davi Boaventura participará da Feira Literária da Cooperativa Educacional de Irecê, com uma mesa sobre o processo criativo de Mônica vai jantar. No dia 30, o minicurso será realizado no Instituto Federal da Bahia, no campus da cidade.

Também está prevista uma versão pocket e gratuita do minicurso, transmitida ao vivo pelo canal do escritor no YouTube. A data da aula online ainda será divulgada pela organização. A atividade terá tradução em Libras.

Formação literária inclui o caminho até a publicação

O projeto não se limita às técnicas de escrita. Um dos seus diferenciais é tratar também das etapas posteriores à criação do texto: planejamento de um projeto literário, compreensão do mercado editorial e possibilidades de desenvolvimento e publicação de uma obra.

Para muitos autores, terminar o manuscrito representa apenas uma parte do trabalho. Depois vêm decisões como revisar o original, definir o público, preparar uma apresentação do livro, avaliar modalidades de publicação e pensar em estratégias de circulação e divulgação.

Conhecer essas etapas pode reduzir a distância entre escrever e publicar. Também permite que o autor faça escolhas mais conscientes, compreendendo as características de diferentes caminhos editoriais e identificando quais recursos serão necessários em cada fase.

Em regiões afastadas dos principais polos editoriais, o acesso a esse tipo de informação pode ser ainda mais importante. Oficinas presenciais, encontros com escritores e atividades em instituições locais ajudam a criar redes de troca e a aproximar novos autores de profissionais, leitores e espaços culturais.

Iniciativas regionais ampliam o acesso ao mercado editorial

A seleção do projeto pela Funceb mostra que a circulação literária pode funcionar como instrumento de descentralização cultural. No resultado final do edital, a proposta de Davi Boaventura aparece entre as selecionadas em ampla concorrência, com 168 pontos.

O edital é realizado no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, em cooperação com a Fundação Pedro Calmon. Segundo a Fundação Cultural, as propostas selecionadas poderão participar da programação de eventos literários entre julho e dezembro de 2026.

Além de levar atividades para cidades fora da capital, o projeto cria oportunidades para que escritores e leitores se encontrem em bibliotecas, universidades, academias de letras, feiras literárias e institutos federais. Esses espaços podem desempenhar um papel importante na formação de público e na descoberta de novos talentos.

O alcance também depende da continuidade. Uma oficina isolada pode despertar uma ideia, mas redes locais de leitura, acompanhamento de projetos e novas oportunidades de publicação são fundamentais para que essa ideia avance. Nesse sentido, iniciativas regionais ajudam a fortalecer não apenas autores individuais, mas todo o ecossistema literário de uma comunidade.

Quem é Davi Boaventura

Nascido em Salvador, Davi Boaventura é doutor em Escrita Criativa pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal da Bahia. Depois de passar 11 anos fora do estado, retornou à Bahia em 2024.

O escritor publicou três livros: Talvez não tenha criança no céu, de 2012; Mônica vai jantar, de 2019; e 17 de abril, de 2021. Sua atuação também inclui pesquisa, tradução, fotografia e consultoria literária.

Mônica vai jantar, publicado pela editora gaúcha Dublinense, chegou à quinta tiragem e foi finalista de prêmios como São Paulo de Literatura, AGES e Minuano. A experiência de criação do romance será compartilhada em algumas das atividades da circulação. Segundo as informações divulgadas sobre o projeto, Boaventura passou cerca de cinco anos escrevendo e reescrevendo o livro antes da publicação.

O que escritores iniciantes podem aproveitar

Mesmo para quem não puder participar das atividades presenciais, a proposta oferece um roteiro útil para pensar a própria jornada literária. Alguns pontos merecem atenção:

  • Começar pelo projeto: antes de escrever muitas páginas, vale formular que livro se pretende construir.
  • Observar personagens e conflitos: entender quem conduz a história pode ajudar a definir seu desenvolvimento.
  • Construir um método: cada autor precisa encontrar uma rotina e um processo compatíveis com sua realidade.
  • Planejar antes de publicar: revisão, preparação, projeto gráfico e divulgação fazem parte do caminho editorial.
  • Conhecer o mercado: informação ajuda a comparar possibilidades e tomar decisões mais seguras.
  • Formar redes: feiras, oficinas, bibliotecas e grupos de leitura podem abrir portas para circulação e colaboração.

O principal mérito de projetos como o Caminhos da Literatura está em mostrar que a publicação de livros não precisa ser pensada como uma possibilidade restrita às grandes capitais. Com formação, planejamento, acesso a redes e políticas culturais, autores de diferentes territórios podem desenvolver suas obras e encontrar leitores.

As datas e os horários divulgados podem sofrer alterações. Até 30 de agosto de 2026, a organização ainda não havia informado a data da atividade online nem confirmado os horários de alguns encontros. Interessados devem acompanhar os canais oficiais do projeto e das instituições parceiras.

Fontes consultadas