🎁  PerSe é 100% gratuita para autores independentes. Sem mensalidades. Sem pegadinhas.Feita por autores, para autores. ♥
PerSe

Festivais literários aproximam escritores e leitores em Arapiraca

28/10/2026

Farpa 2026 reúne autores, artistas e público em bate-papos, oficinas, contações de histórias, performances e apresentações culturais

Entre os dias 3 e 5 de novembro de 2026, Arapiraca, no interior de Alagoas, recebe o Festival Arte da Palavra – Farpa 2026. Promovido pelo Sesc, o evento terá uma programação dedicada à literatura, à oralidade, à criação artística e à cultura popular, reunindo participantes de diferentes regiões do país.

Mais do que uma sequência de apresentações, o festival foi estruturado para estimular encontros. Escritores e artistas participarão tanto como convidados quanto como público das atividades, criando oportunidades de troca com leitores, estudantes, educadores e outros profissionais da área cultural.

Uma programação baseada no encontro

A agenda do Farpa 2026 inclui bate-papos entre autores, oficinas de escrita e de slam, contação de histórias, performances literárias, apresentações de cultura popular, sarau e show de encerramento.

Entre os nomes divulgados estão Karou Dias, Carla Guerson, Jeff Nefferkturu, Poeta Beijú, Aline Cardoso, Camila Costa, Larissa Campos, Ira e Fernanda Guimarães. A diversidade de trajetórias e linguagens aparece como um dos eixos da programação, que combina literatura escrita, poesia falada, narrativas tradicionais, música e performance.

Na abertura, marcada para 3 de novembro, o espetáculo “Cheiro de Vó”, da Cia Fulô de Mandacaru, deve abordar temas como cuidado, envelhecimento e a força das lembranças. A apresentação está prevista para ocorrer no Teatro Hermeto Pascoal.

Debates sobre escrita, leitura e identidade

Os dias 4 e 5 de novembro concentram parte importante das atividades voltadas à reflexão sobre o fazer literário. Entre os temas previstos estão a relação entre escrita e tempo, os processos de leitura e criação, a formação de leitores, a memória, a imaginação e o diálogo entre literatura e vida cotidiana.

Também está prevista a performance literária “Na Surdina”, realizada em Libras e em português por Elinilson Soares e Lucas Sol. A atividade amplia a presença de diferentes formas de expressão e pode contribuir para aproximar públicos que nem sempre encontram acessibilidade e representação em eventos literários.

Os bate-papos com Aline Cardoso, Karou Dias, Carla Guerson, Tácio Pimenta e Poeta Beijú devem apresentar perspectivas diversas sobre escrita, leitura, poesia e criação. Para leitores, esse tipo de atividade permite conhecer os caminhos de produção de uma obra e compreender como experiências pessoais, referências culturais e escolhas formais participam do processo literário.

Oficinas ajudam autores a desenvolver projetos

A programação também inclui atividades formativas. A oficina “Do rascunho ao texto”, conduzida por Larissa Campos, propõe uma reflexão sobre o desenvolvimento da escrita. Já a oficina “Performance poética, oralidade e escrita criativa”, com Ira, aproxima o texto literário da voz, do corpo e da apresentação pública.

Para escritores independentes e pessoas que estão começando a publicar, oficinas como essas podem funcionar como espaços de experimentação e aperfeiçoamento. Além do conteúdo apresentado pelos convidados, a convivência com outros participantes favorece a troca de referências, dúvidas e métodos de trabalho.

É importante, no entanto, compreender esse tipo de atividade como uma oportunidade de formação e conexão, e não como garantia de publicação, vendas ou reconhecimento imediato. O principal benefício está na possibilidade de apresentar textos, ouvir diferentes leituras e ampliar a rede de contatos de maneira natural.

Oralidade, cultura popular e novas formas de contar histórias

O Farpa 2026 também valoriza manifestações que ultrapassam o formato tradicional do livro. As contações de histórias previstas incluem narrativas indígenas e africanas, além de cantigas e tradições populares. Camila Costa, Anélita Nuñez e Jeff Nefferkturu participam de atividades voltadas à transmissão oral de histórias e saberes.

A presença de Poeta Beijú e Mago Veio em uma apresentação sobre cordel, reisado e repente reforça a relação entre literatura, música e cultura popular. Essas expressões mostram que a experiência literária pode acontecer em diferentes espaços e linguagens, alcançando públicos que nem sempre se aproximam da literatura por meio dos circuitos convencionais.

Para autores independentes, essa diversidade também oferece uma reflexão importante: divulgar um livro não depende apenas de falar sobre a obra em ambientes formais. Leituras públicas, rodas de conversa, performances, oficinas e atividades comunitárias podem criar novas formas de apresentar personagens, temas e estilos aos leitores.

Sarau encerra programação cultural

No dia 5 de novembro, o Sarau do Farpa deve reunir Elinilson Soares, Lucas Sol, Tácio Pimenta, Larissa Campos, Naty Barros, Ira e Carla Guerson. O encerramento da programação está previsto para ocorrer na Vila Vinil, com show de Fernanda Guimarães.

A agenda divulgada pelo Sesc indica atividades em espaços como o Teatro Hermeto Pascoal, a Biblioteca Sesc Arapiraca, o Sesc Arapiraca e a Vila Vinil. Como a programação ainda está sujeita a alterações, leitores interessados devem confirmar previamente horários, locais, necessidade de inscrição e disponibilidade de vagas junto à organização.

Por que esses eventos importam para a literatura?

Festivais literários ajudam a aproximar a produção escrita de seu público. Em vez de limitar o contato ao momento da compra ou da leitura, eles permitem que leitores conheçam processos criativos, escutem diferentes vozes e participem de conversas sobre os temas que atravessam os livros.

Para escritores, esses encontros podem representar uma oportunidade de circulação e diálogo. A participação em debates, oficinas e leituras públicas ajuda a apresentar o trabalho a pessoas que ainda não conhecem o autor e pode estimular parcerias com outros artistas, mediadores, professores e produtores culturais.

O Farpa 2026, em Arapiraca, aposta justamente nessa combinação entre formação, apresentação artística e convivência. Ao reunir escrita, oralidade, performance e cultura popular, o festival mostra que a literatura não se limita ao objeto livro: ela também se constrói no encontro entre quem cria, quem lê e quem compartilha histórias.

Fontes consultadas