Como os leitores escolhem onde comprar livros: internet ganha espaço, mas livrarias preservam seu valor
Pesquisa da Câmara Brasileira do Livro e da Nielsen BookData mostra que preço e praticidade favorecem o comércio online, enquanto a experiência presencial continua ligada à descoberta e à cultura.
O leitor brasileiro está comprando livros em um mercado cada vez mais dividido entre a conveniência da internet e a experiência das livrarias. No Panorama do Consumo de Livros — Ano-base 2025, 49% dos consumidores indicaram o canal online como preferência, enquanto 44% escolheram o canal presencial e 7% não souberam responder. Os dados consideram consumidores de livros e não devem ser interpretados como retrato automático de toda a população brasileira. (cbl.org.br)
O levantamento é uma iniciativa da Câmara Brasileira do Livro, realizada pela Nielsen BookData, e reúne informações sobre hábitos de compra, descoberta de lançamentos e relação dos consumidores com livrarias. A edição de 2025 considera o comportamento observado entre novembro de 2024 e outubro de 2025.
Preço e praticidade pesam na escolha do canal online
Entre os consumidores que preferem comprar livros pela internet, o principal argumento é econômico: 36,8% mencionaram melhores preços ou promoções. A praticidade aparece em seguida, citada por 30,6% dos entrevistados. Também foram apontadas a facilidade para encontrar os títulos desejados, a possibilidade de comparar preços em diferentes sites, a conveniência de comprar sem sair de casa e a maior variedade disponível. (cbl.org.br)
O comércio eletrônico também favorece um comportamento mais planejado. Na última compra online de livro impresso, 47,5% dos consumidores disseram que haviam planejado a aquisição com antecedência e sabiam exatamente o que queriam. Outros grupos relataram decisões espontâneas ou compras feitas no momento, mas a parcela majoritária apresentada nessa pergunta já tinha um título definido antes de acessar a loja. (cbl.org.br)
Esse dado ajuda a explicar por que a internet funciona bem quando o leitor já conhece o autor, o título ou o assunto que procura. O canal reduz o tempo de busca, facilita a comparação de preços e permite acompanhar promoções e condições de entrega.
Livrarias continuam associadas à descoberta
A preferência pelo canal online, porém, não significa rejeição às livrarias físicas. Para 53% dos consumidores, a livraria é um lugar para relaxar e explorar sem pressa. Outros 46% associam esses espaços à conexão com cultura e conhecimento, enquanto 39% os relacionam ao passeio e à descoberta de novidades. (cbl.org.br)
Na compra presencial, a experiência sensorial aparece como um dos principais motivos. Segundo a pesquisa, 52,3% dos consumidores gostam de ver e abrir o livro na loja antes de efetuar a compra. Sair do estabelecimento com o exemplar em mãos, encontrar variedade e contar com atendimento especializado também estão entre as razões citadas. (cbl.org.br)
Há, portanto, uma diferença importante entre comprar um livro já escolhido e encontrar uma obra por acaso. No primeiro caso, o ambiente online oferece velocidade e conveniência. No segundo, a livraria pode exercer um papel de mediação, permitindo que o leitor percorra estantes, observe capas, folheie exemplares e converse com profissionais ou outros leitores.
Descoberta de livros acontece em vários pontos
O estudo também mostra que a descoberta de lançamentos não depende de um único canal. Entre os consumidores que acompanham novidades, 34% citam sites ou aplicativos de compra, 30% mencionam pessoas próximas, 24% apontam as livrarias e 22% recorrem a criadores de conteúdo nas redes sociais. Posts de editoras, críticas literárias e recomendações dos próprios autores também aparecem entre as formas de contato com novos títulos. (cbl.org.br)
A recomendação automática das plataformas, por sua vez, tem influência mais limitada na escolha de um livro específico. No recorte apresentado pelo estudo, 3,6% dos consumidores mencionaram a recomendação do próprio site em que compraram a obra. O resultado não significa que sistemas de recomendação sejam irrelevantes, mas indica que a decisão pode ser influenciada por fatores anteriores, como o tema, o autor, o preço, a capa, uma indicação pessoal ou o contato com conteúdos sobre a obra. (cbl.org.br)
O que os dados indicam para autores independentes
A pesquisa não mediu diretamente o desempenho de autores independentes. Ainda assim, seus resultados oferecem uma leitura útil sobre a necessidade de combinar canais de descoberta e venda, sem presumir que exista uma única estratégia capaz de alcançar todos os leitores.
Para um autor independente, a presença online pode facilitar o encontro com pessoas que já procuram determinado gênero, tema ou título. Informações claras sobre o livro, imagens da capa, trechos, avaliações e links de compra ajudam a reduzir obstáculos no momento da decisão. A pesquisa registra que links de editoras e de criadores de conteúdo aparecem entre os fatores associados à preferência pelo canal online, embora representem parcelas menores do conjunto de respostas. (cbl.org.br)
Ao mesmo tempo, livrarias, feiras, clubes de leitura, eventos e encontros literários podem ampliar a dimensão de descoberta. Esses espaços não funcionam apenas como pontos de venda: também aproximam leitores de autores, gêneros e histórias que talvez não fossem encontradas em uma busca objetiva.
O caminho mais consistente parece ser o da complementaridade. A internet pode ajudar o leitor a localizar, comparar e comprar. O espaço presencial pode favorecer a exploração, a conversa e o contato físico com o livro. Para autores e profissionais do mercado editorial, compreender essa diferença é mais útil do que tratar os canais como concorrentes absolutos.
Um mercado cada vez mais multicanal
Os dados do Panorama do Consumo de Livros apontam para um comportamento híbrido: o consumidor pode descobrir uma obra em uma rede social, pesquisar informações em um site, comparar preços online e, em outra ocasião, visitar uma livraria para folhear um exemplar. A própria Câmara Brasileira do Livro resume esse cenário ao registrar que, na última compra de livro impresso, 53% dos consumidores compraram online e 47% presencialmente. (cbl.org.br)
Para leitores, isso significa mais possibilidades de escolha. Para escritores, editoras e livreiros, significa a necessidade de pensar em presença, relacionamento e experiência em diferentes ambientes. A pergunta não é apenas onde o livro será vendido, mas também onde o leitor poderá encontrá-lo, reconhecê-lo e decidir que vale a pena levá-lo para casa.
Fontes consultadas
- Dia Nacional do Livro: internet facilita compras, mas leitores ainda valorizam livrarias — R7 (29/10/2026)
- Panorama do Consumo de Livros — Ano-base 2025 — Câmara Brasileira do Livro/Nielsen BookData (Fevereiro de 2026)
- Consumo de livros cresce no Brasil e alcança mais 3 milhões de novos compradores em 2025 — Câmara Brasileira do Livro (26/03/2026)